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Ácido láctico.

Terça-feira, 25.10.11

cavaca 1

Até pouco tempo atrás, muitos técnicos, médicos, educadores e leigos acreditavam que o ácido láctico era responsável por uma série de problemas atléticos: fadiga, músculos doloridos ou cãibras, limiar anaeróbico e débito de oxigênio.

Em termos simples:

O ácido láctico é aquele "produto" que te provoca as dores musculares quando levas um empeno. Quando o nosso organismo realiza um esforço para o qual o oxigénio, que inspiramos não é suficiente para fornecer a energia muscular necessária, começa a formar-se o tal acidozinho também conhecido por lactato.  Claro que se pode melhorar a resistência ao dito cujo. Normalmente isso faz-se através do chamado treino intervalado ("séries").

 

 

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Ácido láctico, nem bom, nem péssimo

O ácido láctico é um subproduto do metabolismo anaeróbio. E o que é metabolismo anaeróbio? De uma forma mais simplificada, existem dois metabolismos energéticos: o metabolismo aeróbio e o metabolismo anaeróbio. O metabolismo aeróbio é aquele em que a quebra da glicose com uma molécula de oxigénio fornece energia:

Glicose + Oxigénio ® CO2 + H2O + Energia

No metabolismo anaeróbio a quebra da glicose ocorre na ausência de oxigénio formando ácido láctico:

Glicose ® Ácido Láctico + Energia

O metabolismo aeróbio fornece maior quantidade de energia do que o metabolismo anaeróbio. Esses metabolismos actuam conjuntamente durante a actividade física. A predominância de um sobre o outro se dá conforme a duração e a intensidade do exercício. Exercícios de baixa intensidade e longa duração tem uma predominância do metabolismo aeróbio, havendo, portanto, uma baixa concentração de ácido láctico. Exercícios de alta intensidade e curta duração têm um predomínio do metabolismo anaeróbio, ocorrendo aumento na concentração de lactato. O ácido láctico, por ser ácido, diminui o pH da célula, inibindo as reacções enzimáticas que ocorrem dentro da célula. Na percepção geral do corpo, o indivíduo passa a ter uma sensação de fadiga generalizada, sentindo o corpo "pesado", iniciando uma hiperventilação (a pessoa começa a ficar ofegante). Quanto melhor treinado aerobicamente o indivíduo, menor será a produção de ácido láctico. Bem, até agora, vimos o ácido láctico como sendo mau para o nosso rendimento. Mas, e quando ele se torna benéfico? 

 

 

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Outra forma de diminuir a concentração de ácido láctico pelo organismo é aumentando a remoção dessa substância. O ácido láctico pode ser removido pelo suor, pela urina, tapado pelo bicarbonato ou ainda utilizado como substrato energético pelo fígado e pelo coração. Nesses dois últimos casos, vemos que uma molécula de lactato pode também ser utilizada como forma de energia, sendo de grande valia para o organismo. Existem testes, como por exemplo o teste de lactato ou teste eroespirométrico, que identificam o ponto onde a produção de lactato é maior que a remoção, ocorrendo um aumento na concentração de lactato o que chamamos de limiar anaeróbio. Enfim, como tudo na vida tem dois lados, o ácido láctico não é diferente. Além de causar a sensação de cansaço e mal estar
durante o exercício, ele também é utilizado como fonte energética. 

 

 

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O atleta ou o ciclista deve aprender a lidar com o ácido láctico de forma eficaz. O principal objetivo das estratégias de treino deve ser minimizar a produção de ácido láctico.

 

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Resumo

O ácido láctico é um importante metabólito. É uma substância usada para sintetizar o glicogênio. A oxidação do ácido láctico é uma importante fonte de energia. Em células musculares altamente oxidativas, assim como as células cardíacas e fibras musculares esqueléticas oxidativas, o lactato é a fonte preferida de energia. O ácido láctico é também um poderoso ácido orgânico e seu acúmular pode resultar em sensações de cansaço e inibição da concentração muscular. Os atletas sob treino de alta intensidade e longa duração necessitam de bom balanceamento na produção e eliminação de ácido láctico. Este desenvolverá a capacidade vascular necessária para maximizar o transporte de oxigênio e, portanto, minimizar a produção de ácido láctico, além de transportar o ácido láctico produzido para os pontos de eliminação. O treino de longa duração é necessário para desenvolver adaptação das enzimas dos tecidos, o que maximizará o uso de ácidos graxos na energia (o que auxiliará a minimização da produção de ácido láctico a partir de carboidratos) e para maximizar a eliminação de ácido láctico.

 

Então fica sabendo que...

O tempo em que estás em cima da bici, só te surgem grandes e boas idéias. Esse fato tem tudo a ver com o exercício. Fazer ciclismo regular, gera uma melhoria significativa da memória, habilidades mentais, e muitas outras musculares... Porém, isso regride quando páras de o praticar.

 

Vamos lá para a estrada!

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publicado por José Cavaca às 12:41